Pauliteiros de Miranda · Sendim

A Tradição

A dança dos paus, os lhaços, os trajes, a música e a língua da Terra de Miranda.

A dança

As nossas danças são tradicionalmente associadas a uma origem guerreira, muitas vezes relacionada com antigas danças de combate greco-romanas: os guerreiros aproveitavam os momentos de lazer para treinar e dançar, e mais tarde as espadas deram lugar aos paus.

Com o tempo, os pauliteiros e os seus gaiteiros ganharam lugar nas festas religiosas — nos peditórios, nas procissões, nas praças e nos terreiros. Hoje há mais de uma dezena de grupos de pauliteiros na Terra de Miranda e, desde os anos 2000, também grupos de pauliteiras.

Às nossas danças chamamos lhaços — música, letra e coreografia de cada dança. Os oito pauliteiros entrelaçam-se, batem os paus e coordenam os movimentos com precisão, para acabar cada lhaço exatamente onde o começaram. Os lhaços falam da guerra, da agricultura e da religião.

Os lhaços

Cada lhaço tem o seu cariz: guerreiro, agrícola, de ofícios ou de festa. Carregue em “Ver letra” para ler a letra em mirandês.

Guerreiro

Salto ao Castelo

O lhaço que encerra as atuações. Os oito pauliteiros formam duas torres e um deles dá quatro saltos mortais entre elas. Em Sendim, no último salto, o saltador fica em pino entre as torres enquanto estas rodam 360°.

Guerreiro

Binte-Cinco

Os quatro peões do meio defendem a sua torre; os quatro guias atacam-na, batendo o pau 25 vezes em cada volta.

Ofícios

Ofícios

Cada par de pauliteiros representa uma profissão antiga do meio rural: o ferreiro, o ferrador, o barbeiro e o cardador.

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Para aprender un oufício
Que me mantega senhor!
Ser barbeiro i ferreiro
Cardador ou ferrador!
Agrícola

La Yerba

O corte da erva no verão e o seu transporte para os palheiros, onde servia de alimento aos animais no inverno.

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Se quieres que te segue la yêrba
Trai la gadanha cula tue piêdra
Pa l’aguçar
Trai buis i carro
Pa la lhebar
Que segada stá,
Que segada stá.
Agrícola

Padre António

Dedicado ao bom cristão e trabalhador da terra, que vive do suor do seu rosto e é solidário com quem mais precisa.

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L padre António era
Cristiano, honrado i prudente
Que mantenia su casa
Cun l suor de su frente
Ele tenie un huerto
un huerto tenie
Onde le cogia
El fruto del campo
Que el tiempo traía
Festa

Campanitas de Toledo

Fala dos monumentos do antigo Reino de Leão e dos sabores da nossa terra. É dançado quase da mesma forma por todos os grupos.

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Campanitas de Toledo
Las torres de San Simon
Reloijo de Benabente
La Catredral de Leon
Quando iban todas juntas
Parecia ua procisson
Lhebabam berças cun bino
Misturadas cun quinhon
Picaditas cun toucinho
Cun tchouriço inda melhor son
Cun chouriço melhor son
Festa

Fado

Ir para o “fado” é ir para a festa, para a farra, para o convívio. Trata-se de um lhaço dedicado ao nosso fado português, Património Mundial da UNESCO! A sua música era também muito dançada nas festas e romarias, o chamado “Repasseado Mirandês”.

Festa

Canedo

Conta a história de um tal Canedo que, numa festa em Santo Antão da Barca, deu um falso alarme de fogo — e levou uma valente sova da população.

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Canedo stá borracho
De bino i augardiente
Canedo stá borracho
De bino i augardiente
Mandou tocar a gaita
Delantre de toda giente
Mandou tocar a gaita
Delantre de toda giente
Yá matórun l Canedo
Más nun fui na sue tierra
Yá matórun l Canedo
Más nun fui na sue tierra
Fui an Santo Anton da Barca
Delantre de la capielha
Fui an Santo Anton da Barca
Delantre de la capielha
Guerreiro

Mirandum

Conta a história de Mirandum, que partiu para a guerra e deixou a incerteza sobre o seu regresso. Entre a Páscoa e a Trindade, a espera prolonga-se até à triste constatação: Mirandum já não vem.

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Mirandum se fue a la guerra
No sé quando bendrá
No sé quando bendrá, no sé quando bendrá
No sé bendrá por la pascua
Mirandum Mirandum Mirandela
No sé bendrá por la pascua
Se por la trinidade
Se pur la trinidade, se pur la trinidade
La trinidade se passa
Mirandum Mirandum Mirandela
La trinidade se passa
Mirandum nó biene yá…
Agrícola

Lhiebre

Conta a história de uma lebre que foge pela encosta acima, perseguida por dois galgos que não a conseguem apanhar. No final, ninguém sabe quem disparou: “tu que lhe atiraste ou eu que lhe atirei”.

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Aquelha canhada arriba
Un lhiebre bi correr
Iban dous galgos trás d´eilha
I no la podiron cojer
Tu que l’atiraste
You que l’atirei
Nin tu la mataste
Nin you la matei
Nin you la matei

A bicha

A bicha — cobra, em mirandês — é dançada sem bater os paus, ao som das castanholas, e fecha todos os lhaços exceto os religiosos. Retrata antigas danças de fertilidade e de solstício e, nos lhaços guerreiros, festeja a vitória. Em Sendim, os passos da bicha são diferentes dos de todos os outros grupos.

Repertório: Salto ao Castelo, 25 de roda, 25 aberto, Ofícios, Padre António, Mirandum, La Yerba, Cabalhero, Canedo, Senhor Mio, Fado, Campanitas de Toledo, Lhiebre, Tchina, Bitcha, Palombitas, Águilas e Alqueire.

Ver

Os lhaços em vídeo

Campanitas de Toledo (I)
Campanitas de Toledo (II)
Binte-Cinco
Padre António

Os trajes

Toque nos pontos para descobrir cada peça do traje.

Pauliteira e PauliteiroPauliteiraPauliteiro
01

Tocadores

Toque nos pontos: os vermelhos mostram o traje, os dourados abrem cada instrumento.

Tocadores
A Capa d’Honras
02

A Capa d’Honras

O grupo é sempre acompanhado pelo Homem da Capa d’Honras Mirandesa, usada pelo elemento mais velho ou pelo presidente. A Capa d’Honras, nascida como capa de pastor, é a peça mais emblemática do traje mirandês; o seu processo de confeção está inscrito no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial desde 2022.

Lhéngua Mirandesa - L'alma de la Tierra de Miranda

La lhéngua mirandesa ye munto mais qu'ua forma de falar: ye ua parte biba d'a nóssa eidantidade, un tesouro cultural que guarda la stória, las tradeciones i l’alma de la Tierra de Miranda.

An 29 de Janeiro de 1999, cun la Lei n.º 7/99, l mirandés fui ouficialmente reconhecido cumo lhéngua oufecial de Pertual, a par de l pertués, tornando-se la segunda lhéngua oufecial de l paíç.

Esta riqueza cultural ye tamien sentida ne ls Pauliteiros i Pauliteiras de Sendin. Na beilça, na música i ne ls trajes tradecionales, damos bida a ua hardança que passa de geraçon an geraçon. Tal cumo la lhéngua, la beilça de ls palos ye un simblo de pertença, d'ourgulho i de ligaçon a las nóssas raízes.

La lhéngua fala de quien somos. La beilça amuestra quien somos. Juntos, mantemos biba la tradiçon de la Tierra de Miranda.

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